SERÁ ?

EXPOSIÇÕES - PONTUAÇÃO DO CAVALO LUSITANO

DICAS PARA FOTOGRAFAR CAVALOS

 

 

SERÁ ?

Por: Davi Carrano

Será que os criadores têm realmente claros objetivos em sua criação?

O que será que alguns criadores querem dizer quando falam em função?
O quanto esse criador estudou e sabe a respeito disso?

Não será a exposição de morfologia uma grande oportunidade para criadores “aferirem” seus olhos na busca de bons produtos? Ou na definição de objetivos?

Não será mais importante em uma exposição de morfologia a “auto-avaliação”, de criadores que tem definidos objetivos, vendo seus produtos em um grande grupo, do que realmente a opinião dos juizes?

Será que o Brasil não produz um número muito maior de bons cavalos do que pode treinar de maneira adequada?

Não será mais fácil encontrar um cavalo pronto para treinar, do que comprar uma égua, cobrir, esperar onze meses para nascer, três anos para começar a treinar, mais três anos para começar a usufruir? Quantos contratempos podemos evitar?

Será que temos que realmente ter um cavalo de “nossa criação”, “meu ferro”, para treinar?

Será que não deveríamos parar de colocar tantos cavalos no mundo antes de ter preparados bons treinadores?

Não será mais inteligente, fácil e rentável investir em um bom centro de treinamento ao invés de se tornar mais um criador?

Será que criadores e treinadores não estão equivocados em relação ao tempo necessário para treinar adequadamente um cavalo?

Será que o “negócio” do cavalo não é mais a “longo-prazo” do que estão imaginando as pessoas envolvidas nele?

Será que o cavalo Lusitano não é prejudicado pela rapidez com que evolui no treinamento?

Será que treinadores apressados ainda vão “mancar” muitos bons cavalos?

Será que um bom potro tem que valer o mesmo que um cavalo pronto? Apenas pelo seu potencial? Já que temos mais “bons potros” do que ginetes qualificados para trabalhá-los?

Será?

 

 




EXPOSIÇÕES

Preparo, apresentação,  como são pontuados os animais e como funcionam as tabelas de pontuação.

Por Davi Carrano

Muitos criadores interessados em exposições tem uma série de dúvidas em relação a mecânica de como tudo isso funciona.

Todo criador deve ter em mente um objetivo, uma meta de criação para que uma estratégia possa ser traçada.
Além da busca do aprimoramento da raça e melhoria do plantel, do lado dos criadores a maior importância de uma exposição é sem dúvida colocar ao lado de animais de outros criadores seus próprios produtos. Dessa maneira além da avaliação do juiz ele deverá se obrigar a fazer uma auto avaliação de sua criação, procurando definir objetivos, ou se já os tem definidos entender se está no caminho certo e o que fazer para chegar a eles da maneira mais rápida e eficiente.

Assistir a um julgamento nem sempre é uma atividade atrativa, mas muito importante para a evolução de seu plantel. Procure se obrigar a assistir a um julgamento de uma maneira mais técnica e procure entender o que está acontecendo dentro da pista. Sem necessariamente concordar com os resultados.

Você pode ter um objetivo traçado que não é exatamente o que procuram os juizes, ou que seja bem classificado dentro dos atuais parâmetros de julgamento definidos para nossa raça. Nesse caso seus animais terão mais dificuldade para obter sucesso em exposições de morfologia, mas a importância da exposição permanece para que você possa fazer sua auto avaliação. Analisando o trabalho e o resultado de outros criadores você poderá economizar etapas na busca de seu objetivo, aprendendo com os acertos ou erros feitos pelos outros. Isso pode economizar muito dinheiro e az vezes anos de trabalho.

Em uma exposição de animais o que fazemos é classificar os animais premiando os que mais se aproximam de um padrão ideal pré determinado. Para tornar esse julgamento o menos subjetivo possível  buscamos a ajuda de tabelas de pontuação e atribuição de notas com diferentes pesos nos diferentes itens. De novo para que possamos tornar esse julgamento menos subjetivo fazemos entre os juizes uma “aferição”  dos padrões para que as notas atribuídas sejam o mais próximo possíveis. Desta maneira bons juizes, em sintonia com os objetivos da raça irão pontuar animais com diferenças muito pequenas no resultado final.

A apresentação dos animais, estado geral e de condicionamento,  e a maneira com que são apresentados é fundamental para que os juizes possam atribuir as notas da melhor maneira possível. Existe uma maneira ideal para condicionar e treinar animais para a pista, e bons apresentadores podem tirar proveito de algumas características do animal assim como tentar esconder defeitos. 

Algumas vezes temos em pista um bom animal mas que não está bem preparado ou apresentado, sendo prejudicado em sua pontuação. Por exemplo quando um apresentador inexperiente não consegue fazer o animal andar a passo ou conduz o animal de maneira que ele inverta o pescoço ou pare em posição não desejada para a análise de aprumos.

 Um bom preparo e um bom apresentador vão tirar do animal o máximo de seu potencial. Uma exposição é na verdade um grande concurso de beleza e movimentação, não basta ter bons animais temos que saber como apresenta-los.
O que podemos  perceber é que naturalmente uma padronização na maneira de apresentação está sendo instituída pelos grandes criadores o que facilita o trabalho dos juizes. Ao mesmo tempo prejudicando bons animais que não tem o mesmo nível de preparo e apresentação.

Primeiramente vamos falar de como a escala 0 a 10 é utilizada para que as pontuações finais de diferentes julgadores experientes não sejam muito diferentes e possamos criar uma unidade em um assunto que é tão polêmico e subjetivo. O que pretendemos fazer é diminuir essa subjetividade, criando parâmetros que possam ser utilizados pela maioria das pessoas.

Para que um julgador possa ter parâmetros a única maneira é comparando animais e separadamente os itens que devem ser pontuados. Desta maneira, se obrigando a analisar os vários aspectos tanto em morfologia como em funcionalidade conseguiremos fixar em nossa memória um “padrão ideal” . A partir deste padrão poderemos classificar os animais.

Partiremos nessa tentativa de elucidar dúvidas em relação a como são feitas as pontuações da nota “7” .

1 –O “7” , O BOM,  O CORRETO.

O “7” é o aceitável, o bom, quer dizer que o item analisado não deve ser penalizado mas também não deve ser bonificado. Muitas vezes pontuamos um cavalo que chamamos de “cavalo de 7” Quer dizer, este animal é correto mas não é o desejável, não deve ser bonificado, por outro lado não podemos penaliza-lo é um cavalo na média, não se destaca mas não tem defeitos.

2- PENALIDADES

Se  temos que penalizar algum dos itens da tabela de julgamento teremos em 99% dos casos 3 opções:

  1. Nota 6 – uma penalização leve, mas que deve ser levada em consideração.
  2. Nota 5 – penalização pesada mas não desclassificante
  3. Nota 4 – penalização pesada e desclassificante  (no caso de aprovação de garanhões basta uma nota abaixo de 5 para desclassificar o reprodutor)  

As pontuações 0, 1, 2 e 3 são raramente utilizadas pois criadores com animais com pontuações desse nível normalmente não os apresentam, e para desclassificar um animal basta atribuir-lhe uma nota 4.

3- BONIFICAÇÕES

Se temos que bonificar algum item da tabela de pontuação teremos em 100% dos casos 2 opções:

  1. Nota 8 – Bonificação leve para um item que se destaca, é muito bom.
  2. Nota 9 – Bonificação pesada para um item que consideramos o ideal, o desejável, o melhor.

A nota 10 nunca é atribuída. (Seria muita pretensão!)

Vamos então analisar as tabelas de pontuação, que são duas, para animais apresentados a mão e para animais apresentados montados, no caso de machos a partir da quarta categoria.

MODELO E ANDAMENTOS (ANIMAIS APRESENTADOS À MÃO)

 

 

 

 

 

ITEM

NOTA

COEF.

TOTAL

Cabeça

 

2

 

Pescoço

 

1

 

Espádua e Cernelha

 

1

 

Peito e Tronco

 

1

 

Dorso e Rim

 

2

 

Garupa

 

2

 

Membros

 

3

 

             ANDAMENTOS

 

 

 

Passo

 

3

 

Trote

 

3

 

CONJUNTO de FORMAS

 

2

 

 

 

 

 

TOTAL sobre 200

 

 

 

TOTAL sobre 20

 

 

 



MODELO E ANDAMENTOS  (ANIMAIS MONTADOS)

 

 

ITEM

NOTA

Coef.

TOTAL

Cabeça

 

2

0

Pescoço

 

1

0

Espádua e Cernelha

 

1

0

Peito e Tronco

 

1

0

Dorso e Rim

 

2

0

Garupa

 

2

0

Membros

 

3

0

             ANDAMENTOS

 

 

 

Passo

 

2

0

Trote

 

2

0

Galope

 

2

0

CONJUNTO de FORMAS

 

2

0

 

 

 

 

TOTAL sobre 200

 

 

0

TOTAL sobre 20

 

 

0.0

O que todos devem prestar atenção é nos pesos dos diferentes itens e na importância dos andamentos nesta tabela.  O mais prático para o entendimento é sempre ter como base a nota “7” (se um animal tem 7 em todos os itens ele terá uma pontuação de 70.0 pontos)

Então quando começar a analisar um animal parta do pressuposto de que ele é nota “7” em todos os itens. Daí  em diante vamos analisar os itens que devem ser penalizados e os que devem ser bonificados e com que intensidade.
Muitas vezes o que acontece é dois itens que fazem “fronteira” como  (Cabeça / Pescoço), ( Pescoço / Espádua e Cernelha) ou (Dorso e Rim / Garupa) as vezes mereçam apenas uma penalidade ou bonificação devendo o julgador optar pelo item que será bonificado / penalizado.

Por exemplo uma má ligação de Pescoço com a Espádua poderá ser penalizada no item “Pescoço” ou “Espádua Cernelha”,  dependendo do animal. Nem sempre temos que penalizar/bonificar dois itens “fronteiriços”.

Outro fator que pode atrapalhar o entendimento do julgamento é a beleza e atitude do animal. Animais com muita atitude chamam a atenção e nem sempre se classificam bem. Vamos fazer uma pequena análise de dois animais fictícios com as seguintes pontuações:

Animal 1 – A primeira vista uma animal de 80.0 pontos, muito bonito e de formas muito boas, devendo ser bonificado nos itens relativos a morfologia, mas que não se apresentou a passo, por ser muito agitado e não trotou bem devendo ser penalizado:

MODELO E ANDAMENTOS (ANIMAIS APRESENTADOS À MÃO)

 

 

 

 

 

ITEM

NOTA

COEF.

TOTAL

Cabeça

8

2

16

Pescoço

8

1

8

Espádua e Cernelha

8

1

8

Peito e Tronco

8

1

8

Dorso e Rim

8

2

16

Garupa

8

2

16

Membros

8

3

24

             ANDAMENTOS

 

 

 

Passo

6

3

18

Trote

6

3

18

CONJUNTO de FORMAS

8

2

16

 

 

 

 

TOTAL sobre 200

 

 

740

TOTAL sobre 20

 

 

74.0

Animal 2 – A primeira vista um animal de 70.0 pontos, não tão bonito e de formas não tão desejáveis em morfologia, mas correto, não devendo ser penalizado. Porém teve em seus andamentos uma performance que trás uma bonificação tanto no passo como no trote:

MODELO E ANDAMENTOS (ANIMAIS APRESENTADOS À MÃO)

 

 

 

 

 

ITEM

NOTA

COEF.

TOTAL

Cabeça

7

2

14

Pescoço

7

1

7

Espádua e Cernelha

7

1

7

Peito e Tronco

7

1

7

Dorso e Rim

7

2

14

Garupa

7

2

14

Membros

7

3

21

             ANDAMENTOS

 

 

 

Passo

8

3

24

Trote

8

3

24

CONJUNTO de FORMAS

7

2

14

 

 

 

 

TOTAL sobre 200

 

 

730

TOTAL sobre 20

 

 

73.0

O que podemos perceber nestes dois animais é que o “1”, que a primeira vista é um animal de 80.0 pontos, ganhou do “2”, que a primeira vista é um animal de 70.0  por uma diferença de apenas 1.0 ponto.
Se o animal “1” em qualquer dos itens de peso 2
( Cabeça / Dorso e Rim / Garupa / Conjunto de Formas)   tiver uma nota 7 irá empatar com o “2”. Da mesma maneira que o animal “2” conseguindo um 8 em um destes itens. Acontecendo as duas coisas o animal “2” vencerá do “1”, confundindo o público que está assistindo ao julgamento.

Imaginem então uma situação onde um número de 20 ou mais animais são pontuados como é difícil antes de fechar as “contas” saber qual é a classificação final. É claro que em um julgamento o juiz tem uma idéia dos primeiros classificados. E se existe uma disparidade muito grande entre os animais as vezes saber qual é o vencedor, pois não houve notas tão altas em outros animais. Mas via de regra em uma exposição de alto nível isso não é comum.

Em exposições onde 2 ou 3 juizes estão pontuando essa matemática fica ainda mais complexa.
Procure entender melhor essas tabelas para entender melhor os julgamentos. Exercite seu olho em seus próprios animais. Se obrigando a analisar os animais nos diferentes itens e fazendo uma pontuação vai  ajuda-lo na seleção e preparo de seus animais para exposições.

Este é um assunto que merece muita discussão e análise mas espero ter ajudado para um melhor entendimento e consenso dos julgamentos e parâmetros utilizados em exposições de morfologia.

 

 

 

 

DICAS PARA FOTOGRAFAR CAVALOS

Vamos falar em três tipos de fotos de cavalos: em liberdade, onde os animais se apresentam sem acessórios, em movimento ou estáticos; montados, onde os animais se apresentam trabalhando com sela e em movimento; e de expressão, onde fazemos um close fechado da frente do cavalo (cabeça e pescoço).
Antes de começar a fotografar, devemos ter em mente qual é a finalidade da foto. Se é uma foto para um catálogo ou que de alguma maneira vai “vender” o animal, devemos nos preocupar em mostrar suas qualidades, ou mesmo esconder algum defeito ou fator não desejável. Em alguns casos, vemos uma linda foto, que não nos mostra porém qualidades morfológicas ou padrão racial.

Nos três tipos temos que tomar alguns cuidados como:
Em primeiro lugar o animal deve estar em condições de apresentação adequadas para ser fotografado, animais com o pêlo grosso, magros ou mesmo muito gordos vão prejudicar o resultado final.
Uma toillete completa deve ser feita antes da foto (barba, orelha, machinhos etc...)
O animal deve estar maquiado, com brilho para focinho e olhos e brilho para o pêlo.
É muito importante deixar que o animal descanse dois dias antes da sessão de fotos, para que esteja mais expressivo e alegre, principalmente nas fotos em liberdade.

A ESCOLHA DO LOCAL

Para um bom trabalho o local é determinante, principalmente para fotos em liberdade. Em alguns casos a foto em liberdade fica inviabilizada ou os resultados são muito ruins. A escolha do local é mais fácil no caso de fotos de expressão onde devemos apenas procurar um fundo neutro, que de preferência esteja desfocado, e que faça contraste com a cor do animal (para animais claros, fundos escuros como matas ou montanhas, e para animais escuros, fundos mais claros como céu ou palha). Quanto maior a  profundidade deste fundo melhor o resultado, e mais facilmente teremos o contraste.

Para fotos em liberdade um piquete o mais plano possível deve ser escolhido. O tipo de cerca deve ser preferencialmente de madeira e dever estar pintada com uma cor neutra, de madeira. Os melhores resultados são obtidos com cercas escuras, e não brancas. O piquete deve estar roçado para que possamos ver as patas dos animais. Fotos em capim alto não são desejáveis. A cerca deve estar perpendicular ao movimento do sol. Apenas um espaço de aproximadamente 40 metros é necessário para a foto, portanto algum tipo de fechamento dever ser feito para que o animal fique restrito a este espaço. Podemos fazer isso com paraflancos, tratores, carretas, etc... Se o animal escapa perderá em poucos minutos a alegria e expressão dos primeiros momentos após a soltura, quando ele se apresenta mais bonito.

Para fotos de animais montados, o local é escolhido mais facilmente, mas devemos nos preocupar com o fundo e com o piso. Gramados geralmente se prestam muito bem para esta finalidade. Neste tipo de foto, a profundidade é o fator mais importante, sendo que fundos com montanhas são os mais bonitos. 

ASSESSÓRIOS PARA ESTIMULAR O ANIMAL

Existem várias maneiras de estimular os animais a ficarem mais expressivos no momento do click, e cada animal responde de maneira diferente a estes estímulos.
Aí vão alguns deles:

Uma gravação com sons de garanhões rufiando éguas funciona muito bem. Deve-se tomar cuidado, pois quando usada de maneira exaustiva, perde o efeito. Alguns garanhões podem também atacar a pessoa que está segurando o gravador;

Nas fotos de expressão, um espelho funciona muito bem. No entanto, em alguns casos, alguns animais ao verem seu reflexo podem ficar com muito medo e fugir, ou mesmo atacar o espelho. 
Um chocalho feito com um galão plástico cheio de pedras é sempre necessário;
Sacos de ração vazios sendo arrastados pelo chão;
Lonas plásticas sendo agitadas;
Fantasias ou máscaras podem ser utilizadas;
Nas fotos de expressão podemos utilizar outros animais ou mesmo éguas, no caso de garanhões;
Até mesmo um balde de ração pode funcionar com alguns animais, quando nenhum dos artifícios der bom resultado.

É muito comum vermos fotos onde os animais ficam deformados, com pescoços ou cabeças muito grandes, por exemplo. Para evitarmos esse tipo de ocorrência, o  fotógrafo deve estar com uma lente zoom de aproximadamente 200 mm. Deve se posicionar a uma distância de 15 a 20 metros do cavalo e deve ficar agachado, focando o animal de um plano mais baixo.

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